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Os jornalistas devem defender a profissão ou ignorar as críticas à Imprensa?

O ano que se inicia deverá ser desafiador para o jornalismo. O presidente Jair Bolsonaro já sinalizou que irá copiar o estilo de Donald Trump, se pronunciando pelas redes sociais e cortando a verba publicitária de veículos que não se alinharem às suas ideias.

Como Trump, Bolsonaro já mostrou que não terá um relacionamento dos mais maduros com repórteres.

Antes mesmo de assumir, o presidente bloqueou pelo menos um jornalista, assim como o norte-americano, como forma de evitar que o profissional tivesse acesso às suas publicações.

Bolsonaro também deixou claro que rotular como fake news informações de jornalistas será uma forma de responder às notícias que não lhe agradam ou ferem seu governo.

Ele recomendou canais do Youtube conhecidos por discurso de ódio como “excelentes canais de informação” para seus seguidores, em detrimento à imprensa.

Os filhos do presidente – que possuem papel importante no governo e também cargos públicos – seguem a mesma linha.

Vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro faz críticas diárias à imprensa em seu perfil no Twitter.

E muitos seguidores da família presidencial seguem a mesma linha, rotulando jornalistas, divulgando que matérias desagradáveis são inventadas ou até mesmo fazendo ameaças aos profissionais.

Claro que o mesmo já aconteceu em governos passados. O ex-presidente Lula, por exemplo, acusou a Imprensa de “fazer mal à democracia”.

Mas o ponto é: como os jornalistas devem reagir diante dos ataques ao Jornalismo, à profissão?

Um estudo conduzido por Raymond Pingree, professor assistente da Escola de Comunicação da Universidade Estadual de Louisiana (EUA), juntamente com outros sete colegas, aponta que o melhor caminho é revidar e defender a profissão.

Segundo o estudo, “uma percepção errônea de que todas as notícias são partidárias de um lado ou de outro prejudica a capacidade da imprensa de cumprir seu papel essencial na democracia”.

Por isso, deve ser combatida, e não ignorada, como é comum.

Percepção do público é moldável

No estudo “Checking facts and fighting back: Why journalists should defend their profession”, os pesquisadores avaliam o que é quase óbvio: o público age de acordo com o que os outros dizem sobre a notícia, sem analisar se de fato há viés tendencioso.

E quanto mais se fala contra a imprensa, maior é a tendência das pessoas em acreditarem que a mídia é realmente ‘inimiga do povo’, mentirosa ou partidária.

“Quando as mensagens que atacam o jornalismo são comuns e as mensagens que o defendem são raras, é provável que a confiança seja corroída, não importa quão bom seja o trabalho que os jornalistas estejam realizando”, diz um trecho do estudo.

Checagem de fatos

A pesquisa avaliou ainda os efeitos da checagem de fatos na percepção das pessoas sobre a credibilidade da imprensa e concluiu que ela não teve efeito sobre os avaliados, sem que houvesse conteúdo relacionado à defesa do jornalismo no portal.

“Quando alguns artigos de opinião em defesa do  jornalismo foram incluídos no portal de notícias on-line, a checagem de fatos aumentou a confiança dos participantes na mídia, a autoconfiança em sua própria capacidade de decidir o que é verdadeiro na política e a intenção de usar o portal de notícias futuro”, apontam os pesquisadores.

Revidar e apurar

Os resultados, segundo os pesquisadores, “sugerem que a combinação de defesa do jornalismo com a checagem de fatos poderia ajudar a reverter essas tendências alarmantes, restaurando a confiança nas notícias e na capacidade da  imprensa de apurar os fatos políticos”.

Além da valorização da profissão

Defender o jornalismo vai além de ser uma ação para manter o status quo.

Uma outra pesquisa, também realizada nos EUA, mostrou que as pessoas que têm uma visão negativa da mídia possuem uma tendência maior a acreditar em notícias falsas.

Em outras palavras, melhorar a reputação do jornalismo pode ajudar a combater as fake news.

Você acredita que defender a profissão colabora para melhorar a percepção das pessoas sobre o trabalho jornalístico ou é melhor ignorar as críticas? Dê sua opinião:

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